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9 de novembro de 2010

ABRAFARMA preocupada com o impacto nas vendas

As mudanças no mercado de medicamentos no país vão impactar principalmente no comércio das drogarias e farmácias de pequeno porte, em regiões de menor poder aquisitivo.

Como a população tem maior dificuldade de acesso às consultas com médicos em regiões mais pobres, as vendas de antibióticos com receita médica tendem a registrar queda maior no pequeno varejo.

“Temo pelos reflexos da medida para o consumidor, que tem dificuldades de acesso ao médico e aos planos de saúde”, ressalta Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Rede de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

Ele afirma ainda que a possível queda no consumo de antibióticos deve prejudicar principalmente os pequenos varejistas independentes, que trabalham com menos produtos.

“O consumidor pode ficar prejudicado em função da menor variedade de medicamentos. Se antes as farmácias tinham sete ou oito antibióticos disponíveis para a venda, pode ser que passem a ter apenas o remédio de referência e mais dois de apoio. As grandes redes têm mais gestão e mais estoque, podem conseguir controlar melhor”, reforça.

CARÊNCIAS “A população mais carente não tem acesso ao médico. Vai ao posto de saúde e não consegue atendimento. Não vai adiantar eu trabalhar com o produto se o cliente não vier com a receita”, afirma Mello. Ele ressalta que a venda de antibiótico deve cair com a nova medida da Anvisa, mas avalia um lado positivo da determinação. “Vai evitar a automedicação.”

Fernando Barbosa, gerente da drogaria Gran Farma Marcelino, no Bairro Glória, acredita que a venda de antibiótico vai ser afetada em todo o varejo. “Outro dia mesmo atendi uma cliente que estava com a garganta toda infeccionada. Ela disse que ficou esperando horas no posto de saúde, mas não conseguiu consulta. Nas regiões mais carentes, os postos demoram mais de quatro horas no atendimento”, diz Barbosa.

“Ainda é cedo para falar em queda de vendas. Mas se os antifúngicos e os antimicróbicos entrarem na lista da Anvisa, aí poderemos ser mais afetados. Alguns são pomadas receitadas pelos farmacêuticos”, observa Wellington Tiago Moreira, gerente da MedFarma Drogaria e Perfumaria, no Nova Granada.

A diretora do Sindicado dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais, Luciana Silami Carvalho, defende a medida da Anvisa sob o ponto de vista da saúde. “Se a população começa a consumir antibiótico indiscriminadamente, as bactérias criam resistência.” Ela reconhece, no entanto, que a medida deve trazer queda de vendas de medicamentos nas farmácias. “Com certeza deve diminuir”, diz.

Fonte: Jornal "Estado de Minas"

13 de abril de 2010

Decisão do STJ obriga farmácias a manterem medicamentos atrás do balcão


Normas da Anvisa haviam sido questionadas na Justiça por drogarias.

Agência quer evitar o estímulo à automedicação.

As farmácias de todo o País estão obrigadas a cumprir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que disciplinam quais produtos podem ser comercializados e quais podem ser oferecidos diretamente ao consumidor. O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Ari Pargendler, suspendeu decisões da Justiça Federal do Distrito Federal e de São Paulo que dispensavam as farmácias de cumprir uma resolução da Anvisa que tinha o objetivo de evitar o estímulo à automedicação.

Essa resolução estabelece, por exemplo, que os medicamentos deverão permanecer em área de circulação restrita aos funcionários, não sendo permitida sua exposição direta ao alcance dos consumidores. A resolução dispõe sobre boas práticas farmacêuticas para controle sanitário do funcionamento, dispensação e comercialização de produtos e prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias.

Pargendler suspendeu decisões que tinham sido favoráveis a estabelecimentos filiados à Associação Brasileira de Rede de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e à Federação Brasileira das Redes Associativas de Farmácias (Febrafar). Além da resolução sobre as boas práticas, as entidades questionavam instruções normativas que listam os produtos e medicamentos que podem e não podem ser vendidos em farmácias e quais são liberados para ficar ao alcance direto do consumidor.

Na sua decisão, Pargendler concluiu que a Anvisa atuou no exercício de sua competência, de acordo com os propósitos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. O ministro disse que a automedicação é perigosa. Segundo ele, se essa prática é estimulada, pode comprometer a saúde pública.

Fonte: Agência Estado

Comentário do blog: Finalmente uma decisão favorável à saúde pública. Ultimamente as decisões da justiça vinham atendendo apenas o interesse econômico de grandes conglomerados. São ações deste tipo que cada vez mais fortalecem não só papel regulatório da ANVISA em prol da saúde pública, mas também pela valorização os profissionais farmacêuticos que lutam sempre a favor do uso racional de medicamentos na contramão desse interesse econômico das redes de farmácias. Louvável!!!


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